Eu sei que não vai adiantar nada pedir, mas já que estamos no meço do ano, por que não sonhar? Ainda mais em 2012 que é o fim do mundo? Segue então minha lista de sonhos, já pedindo para o Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Buda, Jesus, Ganesh, enfim, qualquer entidade que topar.
- Planejar antes de implementar;
- Trabalhar com etapas bem definidas e com prazo adequado para finalizar as tarefas;
- Tempo para (alguém) documentar;
- Acabar com a gambiarra da produção (depois de cinco anos, esse eu realizei parcialmente em 2011);
- Escrever código, que é diferente de vomitar código;
- Fazer tudo o que eu sei que precisa ser feito;
- Maior sonho de todos: trabalhar com um usuário que saiba o que quer!
Acrescente com seus sonhos nos comentários.
O tema de hoje foi motivado por um Tweet da revista Espírito Livre, que me mostrou um novo mapa dos cabos submarinos ao redor do mundo. Antes de mais nada, o post é uma continuação do que escrevi em 2010 sobre os verdadeiros donos da Internet. Passe aqui e dê uma lida nele antes de continuar, pois é fundamental para o que vamos tratar em seguida. Depois, dê uma navegada no mapa interativo de cabos submarinos ao redor do mundo e tire suas próprias conclusões.
Agora estamos prontos para uma errata: de fato há um cabo que nos conecta à Internet passando pela África e está ativo desde 2002. Seu nome é Atlantis-2 e pertence sabe a quem? Ele mesmo, que já foi considerado o homem mais rico do mundo algumas vezes: o mexicano Carlos Slim. Tendo em vista esse detalhe todo o resto que escrevi sobre os donos da rede continua valendo: quem manda são os americanos. Contudo, vamos nos ater a uma pequena parte da figura, que tomei a liberdade de cortar do mapa para colocar aqui. Deem uma olhada:

Se perceber bem, o mapa de cabos submarinos traz um novo ramal de conexão Brasil-África. Na verdade tratam-se de três ramais, que pelo que pude descobrir pertencem a três companhias diferentes. O cabo Angola-Brasil que é o de cima dessas duas linhas de cabos próximas umas das outras não tem muita informação e não tem nada de bastidores, então não posso falar muito. É um projeto que será bem-vindo se for realizado. O primeiro de cima se chama Wasace e já tem até site da companhia na Internet com informações sobre a sociedade e alguns (poucos) detalhes técnicos. O fato é que vai sair no primeiro quadrimestre de 2014, ou pelo menos tem previsão de ficar pronto nesse prazo. Como o próprio site diz, é uma obra para a Copa do Mundo.
Contudo, quero chamar a atenção de todos para o terceiro de baixo na imagem, que se chama South Atlantic Express (SAEx) e tem propriedade de um grupo chamado efive. Fiz uma busca na Internet e o que descobri foi muito interessante: o SAEx é formado por três grandes players, como pode ser visto em seu site aqui.
- GlobeNet cable system in Fortaleza
- WACS/SAT3 in Cape Town
- SEACOM/EASSy in Mtunzini
As empresas africanas são cabos de companhias nacionais privadas que desempenham um importante papel na estrutura de comunicação nacional dos países acima. O SAT-3/WASC é especialmente importante, pois representa a conexão de toda a África com a Europa, além de contar com várias empresas dos países por onde passa. Da parte brasileira, o GlobeNet pertence à Oi e faz parte do espólio do antigo sistema Telebras que foi “herdado” pelas várias empresas durante a privatização.
Se você conseguiu chegar até aqui, parabéns. A maior parte deve ter parado no segundo parágrafo achando toda essa informação muito chata, mas esses pequenos cabos dizem muito sobre a liberdade na Internet. Se a iniciativa for levada a cabo – como parece que vai ser – e o SAEx ficar realmente pronto, será praticamente impossível a um só país decidir “desligar a Internet”. Na verdade o maior perigo para toda essa rede reside justamente no Brasil, pois os cabos da GlobeNet fecham o círculo para cima levando nossa conexão até os EUA. Assim, se fecharmos a porta os africanos teriam motivos para ficar chateados.
Para nós é fundamental possuir uma outra porta de saída. Com a construção desse ramal, caso ocorra algum problema na conexão com os cabos da Embratel, podemos simplesmente virar a chave e redirecionar todo o nosso tráfego para a Oi e sair pela África. Aos defensores da privatização das telecomunicações, entendem agora a importância de se ter uma grande empresa nacional na área? Se não temos uma empresa nacional estamos sujeitos às decisões da matriz, que pode fechar esse ou aquele canal com base em interesses sabe-se lá quais. Esse foi um dos principais motivos para o governo brasileiro ter incentivado a fusão entre Oi e Brasil Telecom: temos agora um grande player nacional que possui capacidade de interligar todo o país caso algo de “estranho” aconteça com os outros provedores. Ou alguém ainda acha que Internet e comunicação é supérfluo?
Vou aproveitar para dizer mais uma vez em que ponto as privatizações foram extremamente prejudiciais. Os mais antigos da área (sim, eles ainda existem) sabem que o fato de existir poucos telefones no começo da década de 90 e a quantidade de linhas ter estourado após as privatizações é que as empresas do Sistema Telebras possuíam padrões de qualidade extremamente rígidos, que simplesmente deixaram de existir. Onde existia uma, duas linhas eles plugaram cem da noite para o dia, sem investir UM CENTAVO em aumento da rede. Quando falo em aumento da rede não estou falando em levar uma linha de telefone até a sua rua, que é importante, mas não é o grande custo em comunicações, principalmente no Brasil. Estou falando em passar cabos e linhas pelo país afora, criando conexões entre grandes e pequenos centros. Se olhar o mapa do cabos no Brasil, vai perceber que a maior parte deles foi construído antes da década de 90, pois as empresas privadas não investiram NADA nisso. Não fosse o sistema Telebras não haveria Internet na maior parte das cidades do Brasil até hoje. Estaríamos ainda no eixo Rio-SP, pois é aquele que dá lucro.
Para finalizar, é muito gratificante ver algo que você ajudou a idealizar sair do papel. Estive em uma reunião com o Governo da África do sul onde o pessoal da RNP idealizou o SAEx. A ideia foi tão boa que a sensação de todos na reunião foi de “como não pensei nisso antes”. Claro que minha participação não passou de estar lá e ver isso acontecer, mas fiquei orgulhoso mesmo assim. Se soubéssemos a força que temos enquanto grupo de países “subdesenvolvidos” já seríamos protagonistas há muito mais tempo.
Agora é fiscalizar e esperar que o cabo saia na data prometida, um quase milagre em se tratando de Brasil.
O tema de hoje está também relacionado ao Mercado de TIC. Acompanho alguns sites de vagas e vejo que está cada vez mais comum anúncio para “Administrador de Redes Sociais” ou “Analista de Redes Sociais”. Outro dia coloquei no Twitter que achava essa uma profissão completamente sem futuro, e algumas pessoas me questionaram dizendo que em todos os rankings de vagas ela aparece como uma das mais promissoras. Devido ao grande número de vagas, acho que vale a pena explicar um pouco melhor o que eu quis dizer.
Antes de continuar, contudo, é preciso entender o termo ciberespaço. Já tratei dele aqui no blog várias vezes, e sempre recomendo o mesmo link para quem quiser conhecer o assunto um pouco mais a fundo. O fato é que temos um mundo digital formado pela “projeção” das pessoas em um ambiente digital, onde em muitos casos pode ser tanto a manifestação e um alter ego como o ego em um novo meio de convivência.
Com a proliferação das redes sociais os mais antenados e, principalmente, os mais jovens estão criando clusters de convergência onde todas as suas manifestações no ciberespaço estão agrupadas ou simplesmente reunidas. Talvez esteja aí o grande diferencial do facebook: foi o primeiro a enxergar sua plataforma como um espaço de notificação de suas atividades para seus amigos. Mais importante ainda: foi aquele que enxergou a importância de criar vários nichos globais, controlando a privacidade de suas interconexões e começando em grupos altamente exclusivos. No início era apenas um ponto onde as pessoas de uma determinada camada de elite numa universidade poderiam obter informações sobre as outras, e ser exclusivo era parte importante do processo.
A plataforma evoluiu para uma potência global, mas o seu grande chamariz continua sendo o mesmo: um lugar onde eu posso me conectar com meus amigos. Contudo, a comunicação/conexão acontece de dezenas de formas diferentes. Ás vezes vamos para uma festa juntos e no dia seguinte as pessoas estão colocando fotos e comentando umas com as outras sobre os melhores momentos da noite; em outras oportunidades tenho algo muito rápido a dizer que logo vai para o twitter, já integrado com a plataforma. Posso ainda dizer os vídeos que estou vendo (Youtube), os lugares que visito (Foursquare) e até mesmo as páginas que visito (diigo e del.icio.us).
Olhando a “grande figura” das relações que se construíram na rede, chego ao ponto fundamental do que queria dizer: por que as empresas precisam de “Analistas de redes sociais”? Na maior parte dos anúncios de vagas que vejo por aí as empresas querem alguém que entenda o funcionamento das redes de forma a fazer seus produtos/serviços atingir o maior número possível de pessoas. Todo o mundo quer ser a próxima Nike e fazer uma campanha com o Ronaldinho Gaúcho parecer tão real que ninguém acreditou que era uma propaganda. É o tão famoso marketing viral, que se tornou quase uma obsessão e certamente está na moda em qualquer agência de publicidade.
E por que as empresas precisam de alguém assim? Por um motivo que de tão simples que chega a ser óbvio: por que elas não sabem como fazer isso. O fenômeno do ciberespaço é relativamente recente, e as redes sociais explodiram há muito pouco tempo (o facebook tem apenas 5 anos). Contudo, o que as pessoas contratadas precisam fazer é algo que muita gente faz naturalmente em seu próprio nome: comunicar-se utilizando novas mídias e, principalmente, em um novo mundo. O fato é que tais pessoas são necessárias simplesmente porque os Gerentes e as pessoas que pensam o negócio, em sua grande maioria, ainda não sabem como tudo isso funciona. Para quem é conectado, entender o que é cada um dos serviços que eu citei é algo bastante natural. Para a minha mãe, que aprendeu e ligar o computador outro dia e não consegue entender porque o meu computador tem a tela diferente do dela (ela usa Windows, eu não) não é tão simples assim. O mesmo pode ser dito sobre as pessoas que estão no topo dessas empresas. Não significa que sejam incompetentes ou algo parecido, eles simplesmente viveram em um mundo diferente.
Estamos evoluindo para um cidadão digital: alguém que existe desde sempre no ciberespaço, conhece as funcionalidades da rede e sabe migrar ou adotar uma nova plataforma que lhe parece interessante. Assim, estamos vendo alguém que já nasce como “Analista de Redes Sociais” em potencial, e não precisa trabalhar exclusivamente nisso. Sua plataforma de socialização é a Internet, e utilizar as redes não é o seu trabalho: faz parte dele. Já escrevi aqui também como as empresas cometem um suicídio digital ao bloquear suas redes corporativas. Os pais que proíbem os filhos de ter acesso ao mundo virtual estão cometendo o mesmo erro.
O analista de redes sociais é uma profissão sem futuro simplesmente porque seremos todos naturalmente digitais. Já seremos interconectados e veremos as tecnologias como parte de nossas vidas. As crianças aprendem a navegar na Internet antes de aprender a ler, por exemplo. Se tiverem um tablet então, nem se fala. Alguém pode então questionar dizendo que será necessário a alguém conversar com essa gente, por isso o tal “Analista” seria necessário. Contudo, essa é uma evolução natural da profissão. Há quem dica que um cirurgião precisa saber lidar com bisturi perfeitamente, mas já há cirurgias que são realizadas por robô e operadas com um controle muito parecido com o do videogame. Quem realiza cirurgia por robô é médico ou jogador de videogame? Meu pai sempre se orgulhou de ser expert em datilografia. No concurso que ele realizou teve uma prova e ele obteve o melhor índice entre os participantes. O curioso é que a prova era para contador. Da mesma forma, os jornalistas antigamente utilizavam máquina de escrever e hoje utilizam computador. São hoje operadores de computador ou jornalistas? No futuro, o profissionais de marketing continuarão sendo profissionais de marketing e a rede fará parte naturalmente de sus vidas. Não há como evitar.
Como sou chato, vale lembrar que o conceito de cidadania é muito mais amplo. Não basta apenas conhecer a tecnologia, mas conhecer suas implicações e entender suas responsabilidades ao usá-la. O facebook é dono de todas as suas fotos. Você sabia disso? Se você mandasse fazer um álbum e a pessoa que o imprimiu expusesse suas fotos em um outdoor você concordaria com isso? Reflita sobre o tema e veja que muita coisa já aconteceu com quem confiou cegamente nos serviços oferecidos “gratuitamente”. Aproveite e reflita um pouco sobre a sua educação e aquela que você deseja propagar para seus filhos.
Para finalizar, não podemos nos esquecer que não vivemos na Matrix (ainda). Por mais que sejamos cidadãos digitais conscientes e atuantes, a vida no ciberespaço não é suficiente por si só. O Egito já nos mostrou o caminho. Os espanhóis nos mostraram o caminho. Occupy Wall Sreet nos mostrou um outro caminho. Nós brasileiros aprendemos devagar e ainda não estamos seguindo nosso próprio caminho. Que tal um pouco mais de ativismo em complementação ao ciberativismo?
O assunto hoje é um pouco diferente do que estou acostumado a escrever no blog, mas motivado pelo que aconteceu na semana não posso deixar de comentá-lo: a possível adição dos jogos eletrônicos nas políticas de incentivo da Lei da Informática. Curiosamente no mesmo dia em que li essa notícia chegou meu computador recém-comprado na FNAC pelo inacreditável valor de R$ 1.299,00.
Os mais novos devem estar e perguntando o que tem de tão inacreditável na compra. Afinal, não está tão barato assim e uma rápida busca na Internet pode revelar outros com preços talvez melhores do que os pagos por mim. A grande questão, contudo, não é o preço que eu paguei, e sim a possibilidade de haver produtos nacionais disponíveis em preços competitivos com os similares importados. Quando eu comecei a “brincar” com computadores de verdade – lá pelos meus 12, 13 anos – pensar em um computador feito no Brasil era um sonho muito distante. Não havia indústria nacional e todos estávamos habituados a procurar pelo produto “importado” (talvez trazido seja o termo mais correto) do Paraguai pelo fornecedor mais confiável e o preço mais em conta.
O que tínhamos por aqui era uma verdadeira profusão de sacoleiros, feirantes e lojas de caráter duvidoso que tinham alguém que trazia os produtos para serem vendidos por um canal não muito oficial. Não era considerado certo ou errado: era simplesmente a maneira que sempre foi feita. Talvez aí esteja a razão por termos uma geração na casa dos 30 anos que está acostumada a abrir o computador e entender o que tem lá dentro. Afinal, quase sempre comprávamos as partes em separado e montávamos tudo nós mesmos. Garantia? Como diziam os paraguaios para quem viajava até lá na época: “la garantia soy yo!”
O cenário permaneceu inalterado por muitos anos, até que alguma “boa alma” no Congresso criou a Lei da Informática. Ela é um pouco complicada e teve muitas alterações ao longo dos anos sempre adicionando novos Mercados, mas tem um artigo aqui no site do MDIC que resume bem seus principais dispositivos. O resumo da ópera é: quem investir em pesquisa e desenvolvimento e mantiver um percentual da produção no Brasil ganha incentivos fiscais, ou seja, deixa de pagar alguns impostos. Em alguns casos a redução chega a 90%. O que aconteceu a partir daí é história e todos já sabem: nasceu uma indústria de Informática que simplesmente não existia.
É claro que a coisas não aconteceram rapidamente e ainda há muitos problemas, dentre eles o que mais me irrita: por que todos continuam fazendo venda casada com Windows? Eu não queria essa porcaria, e sim, sei que dá pra pedir o dinheiro da licença de volta, mas o que eu queria era simplesmente comprar um computador BOM (não essas porcarias que eles oferecem) e poder instalar a distribuição Linux de minha preferência. Contudo, isso não muda o fato de que os preços finalmente estão MUITO competitivos. Acompanhei a Black Friday e a Ciber Monday nas principais lojas nos EUA e não consegui encontrar nada muito melhor do que o meu computador no preço que eu paguei. Para quem cresceu aprendendo a montar gabinetes e reaproveitar componentes aqui e ali, comprar um bom computador nacional COM GARANTIA (que aliás, ainda estendi por mais 2 anos. 3 anos de garantia no computador) é quase surreal. Quando lembro de comprar um pente de memória para instalar e dar conflito com a placa-mãe me dá vontade de rir (quem nunca sofreu com isso?).
Aí está a importância das medidas que estão prestes a entrar em vigor. Já foi aprovada na primeira comissão e ainda há mais duas onde a Lei precisa passar, mas não dá nem pra imaginar o que pode acontecer com a aprovação da Lei. Na verdade dá: basta passar aqui e ver esse post no site da Acigames. Todos, tanto fabricantes de plataformas quanto desenvolvedores de jogos em todos os níveis são unânimes em afirmar que o Brasil é o Mercado com maior potencial no mundo. Afinal, videogame de boa qualidade está longe de ser um produto acessível por aqui. Para efeito de comparação, o que custa um videogamente como o Wii em um Mercado como o americano, feito para ser mais barato, é o mesmo que muitas famílias no Brasil pagam por um telefone pré-pago. Um PS3, que aqui é item de luxo, é um brinquedo comum na casa de muitos adolescentes lá fora, pois custa menos da metade que um computador de última linha.
Podemos estar perto de ver o nascimento de um setor talvez até maior que o de computadores pessoais no Brasil. O Mercado de videogames já é o maior na área de entretenimento, e Call of Duty Modern Warfare 3 é o produto mais vendido da história na área. Não é só os fabricantes e criadores de jogos multinacionais que se beneficiam, pois o modelo de distribuição de videogames praticamente exige jogos para a região. Arriscaria dizer que se trata de uma medida ainda mas promissora, pois em combinação com os investimentos em P&D que certamente acontecerão, por que não ter uma grande fabricante nacional de jogos?
Para finalizar, como eu também já disse por aqui, a sociedade precisa entender o poder de mobilização que possui. Enquanto muita gente ficava de “mimimi o Governo não faz nada” e outros mimimis do tipo, havia gente trabalhando sério pela causa. Vale destacar a figura do incansável Moacyr Alves, presidente da Acigames, que sacudiu a poeira e reuniu ao redor da mesma causa os empresários do setor. Fez incontáveis reuniões e palestras explicando a importância do Mercado de jogos, além de ter criado a bem-sucedida campanha do #jogojusto. Que sirva de lição para todos sobre o poder que temos em nossas mãos e muitas vezes não usamos. Os que sabem como fazê-lo se tornam revolucionários e são os agentes das mudanças necessárias para a sociedade.
O post atual é 100% inspirado nas conversas que tive durante o #arenaCODE com o amigo Jomar Silva. Comentava com ele como estou tendo a sensação de que o Software Livre deu uma esfriada. Não estou entrando no mérito de quem está migrando ou não, pois como o próprio Jomar escreveu aqui e eu já coloquei minhas ideias aqui, quem está usando não tem mais tanta importância. Temos uma grande base de usuários (que poderia ser maior é verdade) e as brigas de divulgação que tínhamos há alguns anos se tornaram obsoletas. Continuam sendo necessárias, porque Marketing é um trabalho contínuo, mas não têm mais importância vital.
O objetivo aqui é tratar da (sempre pequena) comunidade de desenvolvedores de Software Livre. Não vou citar nomes porque certamente cometeria injustiças, mas me lembro das vezes em que nos encontrávamos por aí discutindo as contribuições que cada um dava em seus grandes projetos de Software Livre. Me lembro de já ter visto uma reportagem no Jornal Nacional quando um de nossos amigos teve um patch aceito no kernel do Linux, e outra quando um deles se tornou líder de Projeto. Os encontros tinham um ar meio hacker meio nerd (acho que não existe hacker que não é nerd) e, acima de tudo, demonstravam como estávamos todos ganhando importância em nossos projetos.
O tempo passou, muita coisa aconteceu, e um dia as conversas simplesmente morreram. Ainda existem contribuições aqui e ali, mas aquele ar hacker foi desaparecendo aos poucos. De repente comecei a me perguntar: o que aconteceu com todo o mundo? Onde estão nossos amigos desenvolvedores?
Para entender um pouco o fenômeno é preciso estudarmos o que acontece em outros lugares do mundo com os desenvolvedores dos principais projetos. Tive a honra de conhecer alguns deles, porque como o Jomar disse também, você só consegue sentar na mesma mesa com esses caras se tiver algum mérito, normalmente conquistado à base de muito código escrito. Quase todos os que eu conheço trabalham em empresas de variados tamanhos, mas têm uma característica em comum: são pagos unicamente para desenvolver o software. Não têm que atender clientes, não têm que prestar serviço e só precisam continuar desenvolvendo.
O fato é que fora do Brasil existe uma percepção de que é necessário continuar investindo nos grandes projetos para que eles continuem evoluindo. Durante anos a Sun manteve uma grande equipe de desenvolvedores do OpenOffice, pagos unicamente para desenvolver o produto. Em teoria a empresa não ganhava nada com aquilo, então por que manter uma equipe de desenvolvimento?
Responder a essa pergunta é o cerne da questão inicial, ou o que nós não estamos fazendo pelo Software Livre. Temos uma grande base de usuários no Brasil como eu já disse, mas a relação entre o número de usuários e o número de desenvolvedores talvez seja a mais desigual do mundo. Não significa que não tenhamos talento, pelo contrário, mas a percepção do livre = grátis ainda atrapalha bastante. Aqui Software Livre é quase sinônimo de Linux, mas passe aqui e dê uma olhada na lista de membros da Linux Foundation, responsável por manter o sistema. Se quiser, consulte aqui a lista de principais contribuidores individuais.
Em quase todos os grandes Projetos que utilizamos por aqui encontramos alguns desenvolvedores brasileiros. Contudo, não somos capazes de mantê-los trabalhando pelo software diretamente. Se ele vai para uma empresa, passa a ser um Prestador de Serviço e tem que atender outras demandas que não exatamente o desenvolvimento da tecnologia. Há também o caso em que a necessidade o empurra para outros trabalhos, e o tempo para desenvolvimento voluntário praticamente acaba.
Um dos principais responsáveis por esse “esfriamento” da comunidade foi, sem sombra de dúvidas, o Governo. Os números variam, mas no Mercado de Informática do Brasil o Governo é algo em torno de 50-60% (se alguém conhecer uma fonte para esse dado coloque nos comentários), ou seja, é o mais importante disparado. Passamos do tempo em que era tudo terceirizado em informática para o tempo em que o Governo precisa dominar tudo. Não se trata do fato de dominar a tecnologia, mas estamos falando de que todo o desenvolvimento e manutenção dos softwares deve ser feito internamente. Qual é a solução para um gestor público que precisa customizar um Software Livre de grande importância? Contrata a pessoa que mais entende dele para trabalhar no Governo.
Os motivos pelos quais isso acontece são vários e estão diretamente relacionados à falta de uma carreira específica de informática. Pretendo tratar do assunto em um outro post por aqui, mas o fato é que ao invés de contratar empresas que trabalham com Software Livre, o Governo está contratando pessoas. O mais grave é que quase todos os que vão trabalhar no Governo acabam deixando de fazer o que era mais importante: desenvolver o software.
O último caso e ainda mais grave é o do software básico. É muito fácil entender porque alguém precisaria no Governo de uma pessoa que entenda de Zope/Plone, por exemplo, mas e Sistemas Operacionais? Por que um gestor contrataria um desenvolvedor de Sistemas Operacionais? Vale lembrar que administrador de sistemas, por melhor que seja, não é desenvolvedor de Sistema Operacional. Existem alguns que trabalham no governo e eu conheço pessoalmente, mas em comparação com a base de usuários que temos o número é simplesmente ridículo. Precisamos lembrar que Software Livre não nasce em árvores, e alguém precisa investir para que o software continue existindo. Afinal, quem vai pagar pelo desenvolvimento do OpenOffice se ele é gratuito?
Quando tomamos uma postura contrária à monetização do ecossistema do Software Livre estamos ajudando a enterrá-lo. De fato, o modelo de subscrição pode ser mais caro que o de licenças em alguns casos, mas já escrevi aqui e faço questão de repetir: em alguns casos o Software Livre pode ser mais caro do que o proprietário. Não estou dizendo que é a regra, mas pode acontecer. E qual é o problema? Você usa Software Livre somente porque é grátis ou porque se importa com a liberdade? Se você se preocupa somente com o fato de ser grátis, sinto muito mas você está ajudando a enterrar o ecossistema. Depois que o software morre não adianta ficar de mimimi. Vivemos em um mundo capitalista (felizmente ou infelizmente) e as pessoas precisam pagar suas contas. Ninguém vai trabalhar de graça.
Sete horas da manhã. Depois de uma noite inteira viajando, alfândega e confusão com malas, chegamos por volta das 16h00 no hotel. Apesar da ansiedade decidimos que seria melhor arrumar as malas, comer alguma coisa e descansar um pouco para tudo o que aconteceria no dia seguinte. Estando onde estávamos não conseguimos ficar o tempo inteiro no quarto e já tínhamos dado uma volta pelo local, mas não por aqui. Não dessa forma.
Passei os últimos anos da minha vida imaginando com seria esse momento. Lembrei do dia de folga em que passeei sozinho pelas diversas lojas de todo o mundo, e quando chegou o final da tarde estava passando em frente ao restaurante francês que ficava em frente a um lago. O sol do final da tarde refletia sobre a água e indicava uma noite fria, exatamente como eu imaginava. Calcei as luvas que estavam no bolso e olhei para o teto do restaurante que refletia os raios do pôr do sol. Era um espetáculo lindo, sem dúvida. Quando percebi, as lágrimas já estavam rolando. Era mais um momento mágico, de harmonia perfeita entre local e sentimento como já havia acontecido muitas vezes na mesma viagem. Um misto de emoções tomou de assalto meu coração: afinal, por que não estava feliz?
Retomei o caminho entre as lojas limpando as lágrimas e tentando pensar em algo diferente. Talvez uma mudança de ares me fizesse pensar em outra coisa. Entrei no Japão e um restaurante de comidas típicas mais uma vez acelerou meu coração. Achei que era melhor seguir caminhando até que me distraí numa loja que vendia revistas em quadrinhos japonesas – os populares mangás. Logo encontrei uma meia dúzia que certamente seriam bastante apreciados pela minha irmã. Segui por uma loja de perfumes e me entreti na escolha dos melhores aromas, deixando a mente divagar um pouco. O vazio estava ali, e ficava mais latente quando me aproximava da felicidade, mas um pouco de distração era o que eu precisava para seguir.
De volta à realidade, percebi que meus filhos estavam prontos. Seu sorriso era algo difícil de explicar, e pareciam estar todos sabendo da importância dos próximos passos. Não que fosse algo grande demais; afinal estávamos a caminho do parque e tornaríamos a fazer o mesmo caminho várias vezes pelos próximos dias. Mas havia algo no ar que não era possível de explicar.
Tomei meus filhos pelo braço, dei um beijo em minha esposa, e indiquei o caminho que deveríamos seguir. Sim, poderíamos ter tomado o trem, mas não seria a mesma coisa. Pelo menos hoje seguiríamos um caminho menos prático, pois tínhamos que passar por lá. Tinha que ser do mesmo jeito. Coloquei as crianças no carro e dirigi para o estacionamento. Não foi difícil me perder em sonhos outra vez.
O Natal prometia ser bastante frio e todo o parque estava movimentado. Deviam ser quase oito horas da noite e eu ainda estava trabalhando. Não me lembrava direito o porquê, mas também não estava reclamando por ter que trabalhar. A televisão do refeitório mostrava mais um dos muitos jogos de futebol americano que acontecem nessa época do ano. Enquanto prestava atenção nos jogos e conversava com o pessoal ao redor da minha mesa sobre a nossa ceia de Natal, minha mente novamente voltou para casa. Em conversas como essa onde todos estavam animados eu tentava não estragar o clima e interagir ao máximo, mas nunca conseguia pensar no Natal sem voltar para casa. Sim, teríamos uma ceia e estávamos em um lugar mágico. Quase sempre podíamos perceber como estávamos vivendo um sonho e como seria bom se durasse para sempre, mas para sempre? Mais uma vez, algo estava errado.
Abri a porta do carro e peguei um dos carros que fazem o transporte até a área de venda de ingressos. Ao descer do carro, parei por alguns longos minutos e me lembrei dos milhares de vezes que passei por ali: TTC ou Ticket and Transportation Center. Numa manhã como aquelas, estaria trocando uma meia dúzia de palavras com os companheiros e esperando os próximos guests aparecem em minha janela. Mas não dessa vez. Agora eu estava acompanhado.
Abracei meus filhos, ajoelhei e falei para eles: “filhos, o papai trabalhou aqui sabiam”? Eles pareciam não entender muito bem o que se passava:
- Mas papai, você não trabalha naquele prédio grande?
- Sim filho, mas isso foi bem antes de você nascer.
Logo eles viram uma senhora com as luvas de Mickey e saíram correndo na direção dela. Minha esposa me olhava com um olhar ao mesmo tempo curioso e fraternal. Olhei em seus olhos, vi seu sorriso e disse:
- Agora entendi o que faltava.
Ela parecia não entender muito bem, e apenas me deu a mão e sorriu:
- O que faltava meu amor?
- Você. Agora não falta mais.
Demos um abraço apertado e seguimos para o parque, correndo atrás das crianças que iam à frente. Em cima da grade de entrada uma placa dizia: “Welcome to Magic Kingdom”.
“Agora sim”, pensei. Muitos anos após o dia vinte e um de novembro do ano de dois mil e seis, agora eu estou aqui, de corpo e alma.
A boo-box publicou hoje um estudo sobre o conteúdo dos blogs no Brasil, e não pude deixar de comentar alguns dos resultados. Começando pelo começo (pleonasmos à parte), os primeiros colocados não são uma surpresa. Vamos à eles:
- Entretenimento: 24%. Destes, 67% são de blogs de humor. Talvez isso esteja relacionado aos primeiros blogs que fizeram sucesso na Internet brasileira, tipo Não Salvo, Jacaré Banguela, Kibeloco e afins. Falta de criatividade copiar modelos que fazem sucesso, mas parece que é o que estamos fazendo.
- Tecnologia: 20%. A maior parte desse tema vem de tutoriais e análise de mercados (84%). Não entendi como eles juntaram temas tão distintos e seria bom saber qual o percentual de cada um. A proliferação de tutoriais é até óbvia, pois é muito mais fácil ter um conteúdo mastigado nas mãos. E Mercados? Aí não sei…
Enviar para: cgice@mdic.gov.br
Assunto: Consulta pública 08 de 19 de setembro de 2011
Senhor Ministro,
É de conhecimento notório que a televisão é a ferramenta de comunicação com maior poder de alcance na população brasileira, configurando talvez o único instrumento cujo acesso é verdadeiramente democrático. A TV Digital no Brasil foi idealizada para não só ressaltar a força do instrumento, mas também para revolucionar a forma de comunicação através da interatividade e impulsionar a produção de conteúdo nacional.
Com a utilização do Ginga, indústrias de qualquer tamanho armadas apenas pela sua capacidade criativa podem competir com as gigantes nacionais e internacionais do setor. Tal competição só é possível por causa do caráter aberto do Ginga e seus componentes que permite o desenvolvimento sem pagamento de royalties. Não bastasse seu caráter aberto, é o padrão mais avançado do mundo, pois trabalha com as últimas tecnologias em áudio e vídeo e permite a edição de conteúdo interativo em tempo real com a ferramenta Composer.
Pelo exposto acima e por acreditar na importância da obrigatoriedade do padrão, venho através desta manifestar meio apoio pelo item 2 da Proposta 062/11 da Consulta Pública 08, de 19 de setembro de 2011. O não acatamento da proposta pode gerar um padrão de fato imposto pelas grandes fabricantes de equipamentos eletrônicos, empurrando o padrão de direito – o Ginga – a um plano inferior no mercado nacional de televisores.
Sem mais, espero a aprovação da proposta e agradeço pela oportunidade de manifestação.
Eduardo Ferreira dos Santos
Obs.: O prazo para envio das cartas é dia 04 de Outubro de 2011.
Quantas pessoas no mundo são capazes de ter algo de que realmente possam se orgulhar? Quantos foram aqueles capazes de produzir algo que mudou não só a sua vida, mas foi a mola propulsora da vida de muitos outros ao seu redor? Quantos tiveram uma ideia realmente original, se é que ela existe?
Sempre que penso no assunto vêm em minha mente dois exemplos antagônicos: Thomas Edison e John Nash. O primeiro talvez tenha sido o primeiro engenheiro de verdade, como meu professor dizia na Engenharia Elétrica, e suas palavaras até hoje ecoam na minha mente:
Engenharia é resolver problemas e, mais importante, conseguir vender a solução. Thomas Edison conseguiu substituir um sistema que funcionava muito bem (iluminação a gás) por outro que iluminava menos e era mais caro.
Pode parecer absurdo dizer que o sistema elétrico é pior que o sistema a gás, mas na época era uma grande verdade. O que Edison conseguiu vender foi a ideia de algo que seria melhor no futuro, quase sempre um objetivo muito difícil. Deixando a parte vendedora de lado, o ponto antagônico em relação a John Nash é que Edison nunca se preocupou em construir nada exatamente original: simplesmente pegou outras ideias e as adaptou. Na verdade muitos dizem que ele roubou a genialidade de Tesla através de uma falsa promessa de dinheiro.
Ter roubado ou não a ideia não o torna menos importante, apenas revela seu lado empreendedor, mas que certamente não bebia na fonte da originalidade. Muitos dizem que ele foi o maior inventor da história da humanidade, com mais de 100 patentes registradas nos EUA.
Já a história de John Nash, muito bem retratada no imperdível filme Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind), fala da busca quase obsessiva de um gênico da Matemática por sua única e original e ideia. O brilhantismo de Nash se retratava na forma com a qual ele lidava com o cálculo de probabilidades, sendo um dos principais expoentes da criptografia moderna e do pensamento lógico em si.
O filme retrata de maneira brilhante o processo criativo que levou Nash à sua teoria quase como uma epifania. Todo pesquisador sabe que nem sempre a criação é um momento tão poético, mas o ponto importante é que a solução do problema pairava em sua frente, quase que esperando para ser agarrada. Quando o momento chega, o autor é levado a um misto de loucura e emoção. Exageros dramáticos à parte, a Teoria dos Jogos é bem real e rendeu a ele um Prêmio Nobel.
Nunca tive uma epifania, e seria um exagero absurdo de minha parte dizer que tive uma ideia que vai mudar a humanidade. Mesmo que fosse capaz de tamanho trabalho autoral, sei que o reconhecimento dificilmente viria em vida, pois mudanças radicais que sempre acompanham ideias inovadoras levam mais de uma vida para serem compreendidas. Planck morreu tendo certeza que suas contas estavam erradas, e sua descoberta do fóton foi fundamental para que Einstein pudesse escrever o que conhecemos como Física Quântica. Mesmo tendo sido um físico brilhante, a glória de sua descoberta nunca lhe chegou em vida, como acontece na maior parte dos casos.
Contudo, voltando aos casos estudados inicialmente, o que aconteceu com os cientistas geniais após terem suas grandes ideias? É de se imaginar que uma ideia como a de Edison e sua consequente venda na cidade de Nova Iorque fosse suficiente para uma vida. Quantas pessoas conseguiram ter uma contribuição tão relevante para a humanidade? Ainda assim ele não parou, tendo registrado mais de uma centena de patentes após a lâmpada.
Josh Nash, que adoeceu após escrever sua teoria, conseguiu um lugar relevante no exército americano e se tornou um professor renomado. Contudo, nunca mais teve uma ideia similar em termos de genialidade. Seria possível ter uma ideia melhor do que uma vencedora do Prêmio Nobel? Será que existe algum cientista que ganhou mais de uma vez? Se alguém souber complete nos comentários.
O fato é que dificilmente teremos certeza de que a atual ideia é a melhor que possivelmente teremos, pois somos incapazes (ainda) de prever o futuro. Todavia, sabemos que mentes brilhantes precisam de exercício, pois o cérebro afinal é um músculo. Ter uma grande ideia não significa dizer que não precisaremos de outra, pois sempre é necessário continuar buscando a próxima descoberta, o próximo passo.
Na sociedade da informação marcada pelo alto desenvolvimento tecnológico o caráter inovador das ideias é realmente muito importante. Já escrevi aqui no blog sobre Bill Gates, que disse temer mais um garoto em uma garagem qualquer no Vale do Silício do que qualquer uma das empresas concorrentes. Vou um pouco mais além, como também já escrevi por aqui, ao afirmar que em tecnologia o que acontece hoje não tem a menor importância. As empresas e governos estão sempre olhando para o futuro, pois sabem que a qualquer momento uma nova ideia pode surgir e “tomar de assalto” o mundo como conhecemos.
Se você tivesse inventado o algoritmo de PageRank e criado o Google, o que faria? Sem dúvida melhorias no algoritmo de busca são bem-vindas, e tem sido uma busca constante na empresa para trazer melhores resultados. Mas será que só isso é suficiente? Fosse você o dono da empresa continuaria desenvolvendo a busca para atingir o estado-da-arte ou abriria mão de tudo para buscar novas ideias, novos negócios e novas tecnologias?
Um Edison e um John Nash não nascem todos os dias, mas será que é possível nascer um novo Google? Ou uma nova IBM? Uma nova Microsoft talvez? E, por que não, um novo Linus Torvalds?
Afinal, quando saber a hora de sair de cena e buscar algo completamente novo?
Muito tempo sem atualizar o blog. Talvez trabalhando demais ou simplesmente sem inspiração, mas deixemos de justificativas e vamos ao que interessa. Estava tendo mais uma daquelas inacreditáveis conversas (acho que começou aqui, e na nova interface do twitter é possível visualizar todas as respostas) sobre os mesmos argumentos de sempre sobre o Software Livre e foi me dando um preguiça monstra de explicar tudo novamente. Pensei em enviar um link para o rapaz e pedir para ele ler minhas opiniões, mas percebi que ainda não tenho nenhum post sobre as bases e os fundamentos do Software Livre. Ou seja: por que eu apoio o Software Livre e por que os argumentos de sempre estão errados?
Decidi então, apesar de já ter escrito milhares de coisas sobre o tema, tentar compilar os fundamentos em um único post de blog para evitar repetir a mesma coisa todas as vezes em que for bombardeado com as mesmas questões. Comecemos então pela lista de argumentos mais utilizados pelos que nos criticam.
Software Livre não é para o usuário final
A primeira coisa que me incomoda nesse argumento é ver como agimos como nossos próprios agentes de contra-propaganda, talvez muito alimentados pela nossa amada e querida Microsoft. A maior parte das pessoas (pra não dizer todo o mundo) quando ouve falar em Software Livre logo pensa em Sistema Operacional e Linux. Não vale a pena entrar em detalhes técnicos, como o fato de ser possível reproduzir a interface visual do Windows no Linux, mas é importante ressaltarmos o fato de que o Sistema Operacional tem cada vez menos importância.
Claro que, lembrando da guerra dos navegadores, uma empresa pode utilizar seu SO como ferramenta para distribuição de serviços agregados (que o digam a Apple e seu iTunes). Contudo, não dá para negar que o futuro é a nuvem, por mais que eu não goste disso. O que quase todos os usuários de computador fazem ao ligá-lo é abrir o navegador e acessar seus serviços na nuvem, principalmente o e-mail e o Google. Não é possível negar a importância de suítes de produtividade de escritório (ou Offices e BrOffices da vida), mas tirando os jogos, não há mais muito o que fazer em seu computador pessoal.
Pensando como usuário final, qual é o software mais importante de seu Sistema Operacional? Nunca fiz uma pesquisa mais profunda sobre o tema, mas não tenho dúvida de que se trata do navegador. Dê uma olhada aqui e veja como a Microsoft demorou para enxergar a importância da Internet, e perdeu o bonde da inovação. Na área de Tecnologias da Informação e Comunicação, o que está acontecendo hoje não tem praticamente nenhuma importância estratégica, pois negócios inteiros podem ser engolidos e novos gigantes criados da noite para o dia. Vou repetir: o Google existe somente desde 1998. Parece pouco para construir um império? Pergunte ao presidente do Peixe Urbano, que iniciou suas atividades há pouco mais de um ano. Quem trabalha com tecnologia está sempre de olho nas próximas ideias e, principalmente, nos próximos negócios. É impossível pensar em algum negócio de tecnologia para o futuro que não esteja relacionado de alguma maneira com a Internet.
Em praticamente todas as pontas do ecossistema da Internet o Software Livre está presente. O GNU/Linux já é o sistema operacional de longe mais usado nos servidores que hospedam os serviços de Internet. Exceção feita ao Internet Explorer (há controvérsias que podem ser vistas aqui) quase todos os outros navegadores mais usados são baseados em Softwares Livres. A própria Apple e seu Safari utilizam uma engine livre, curiosamente a mesma que é utilizada no Chrome do Google. Sem mencionar é claro a enorme popularidade do Firefox, que foi o primeiro exemplo bem sucedido de abertura de código por uma grande empresa, já que é derivado do espólio do antigo Netscape. Não vale nem a pena mencionar os servidores Web, responsáveis por enviar o conteúdo ao usuário, onde o Apache domina com folga.
Em resumo, se você acessa a Internet já está utilizando Software Livre e não sabe.
Software Livre não é seguro pois permite o acesso ao código-fonte
Pode parecer mentira, mas tem gente que acredita seriamente nisso. Uma respeitável empresa de certificação considera falha de segurança seu sistema ter a documentação disponível e permitir acesso ao código-fonte.
Sem dúvida esse é o argumento que mais me incomoda (pra não dizer que me deixa profundamente irritado) e se torna difícil até falar do assunto sem pensar em algumas palvaras um pouco mais “ríspidas”. Deixemos o mimimi de lado e vamos aos fatos:
- Os Sistemas Operacionais mais seguros do mundo são os que chamamos de BSD-like, que têm por característica principal aceitar em seu núcleo APENAS contribuições livres. Somente quatro falhas de segurança reportadas em mais de vinte anos. É importante que ressaltar que falhas de segurança são erros no desenvolvimento do Sistema Operacional que podem ser explorados sem a intervenção do usuário. Se você não entendeu o que eu quis dizer, clique aqui urgente. E pare de encher o saco dos outros por causa de seus erros.
- Se o seu código contém um erro que pode ser enxergado por alguém ao realizar a leitura do código, seguramente ocorreu falha no desenvolvimento. Isso acontece em Softwares Livres? É claro que sim, softwares são escritos por humanos. Contudo, um erro descoberto num Projeto de Software Livre é corrigido assim que descoberto, além de ser possível à própria pessoa que detectou o problema corrigi-lo imediatamente; não é necessário esperar pela boa vontade da empresa em lançar o próximo Service Pack. Ainda não entendeu ou não está convencido? Leia o que o Erick Raymond disse aqui: “Libere cedo, libere frequentemente”. Obs.: há problemas também no ecossistema do Software Livre em SO’s que dependem de subscrição, mas não vou abordá-lo aqui. Leia o que há na Internet e tire suas próprias conclusões. Deixo esse e esse link para aguçar a imaginação.
- O argumento certamente é uma estratégia de FUD, provavelmente difundido pelos maiores interessados no assunto. Contudo, respirando fundo para tratar do assunto, os procedimentos de checagem de segurança são antigos e tratados por empresas que têm por padrão processos muito engessados. Inserir um requisito de segurança é fácil em qualquer processo de certificação, mas retirar é extremamente difícil. Já recebi em minhas mãos um relatório que apontava possíveis falhas no IIS sendo que o servidor que eu utilizava era o AOLServer. Disse para o profissional da empresa de segurança que o relatório estava estranho, pois apontava falhas de outro software. Ele me explicou que essa checagem era a padrão e era mais fácil ele escrever um “ignorar falha” no relatório do que alterar o procedimento de verificação. Como discutir com tais argumentos? Aqui temos claro que alguns procedimentos de segurança devem ser ignorados por não fazerem sentido. Certamente é o caso do código-fonte acessível e documentado.
- Algumas empresas utilizam a tática da segurança por obscuridade, ou a popular “sujeira embaixo do tapete”. Existe um erro no código, eles sabem do problema, mas não podem resolvê-lo agora pois não perder a data de lançamento é mais importante. Muitas vezes se trata de um problema tão difícil de reproduzir e consequentemente tão improvável de ser descoberto que simplesmente não vale a pena. E fica lá até que alguém o descubra e faça alguma coisa. Quando o código do Windows vazou muita gente ficou assustada como se suas vidas estivessem em perigo, e nada de fato aconteceu.
Se o Software é livre ninguém paga por ele
É possível achar muitos posts sobre o assunto no blog sobre o tema, mas é importante ressaltar que Software Livre NÃO É Software Grátis. Dê uma olhada nesse post e entenda os diferentes modelos de licenciamento.
Conclusão
Existem muitos outros argumentos que podem ser e já são utilizados para denegrir a imagem do Software Livre e as justificativas pelas quais essa ou aquela pessoa não usa. Na maior parte dos casos a culpa é nossa, como uma vez me lembrou meu amigo Thomaz ao me alertar sobre minha mania de mostrar tudo no terminal do Linux.
Por fim, pode ser que existem alguns outros argumentos tão utilizados quanto esses que eu não me lembrei. Se você tem alguma outra restrição que eu não abordei, coloque nos comentários que vou tentar responder. Se quiser adicionar algum argumento que eu não lembrei, por favor, faça isso. Só não deixe os boatos se espalharem ainda mais.

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