Google Wave: a revolução ou a prisão?

Essa semana o mundo inteiro ficou um pouco “extasiado” com o lançamento do Google Wave. Talvez nem tanto pela tecnologia, mas pela capacidade que o Google tem de criar “buzz”, como bem lembrou meu amigo Cesinha.

Como sempre acontece quando ocorrem essas coisas, decidi pesquisar para tirar minhas próprias conclusões. É algo que aprendi desde pequeno: não consigo acreditar em tudo o que as pessoas falam sobre um determinado assunto sem ir até a fonte original do conhecimento. Achei então a documentação oficial nesse link. De fato, fiquei surpreso e, como em quase tudo o que acontece na Internet atualmente, um pouco assustado. Alguns pontos que acho importante destacar:

  1. Utilizando o Google Wave, que promete ser um protocolo de comunicação aberto, tudo o que você está fazendo em tempo real pode ser transmitido aos seus amigos
  2. Tudo o que você escrever lá vai passar de alguma forma pelos servidores do Google. Não sei se faz tanta diferença porque isso já acontece hoje em dia.

Tudo isso parece bom, e de fato é. Pelo que pude entender, ele utiliza uma ferramenta de análise de linguagem natural para concluir se você está digitando ou não uma palavra da forma correta, e o mais impressionante de tudo é que ele faz tudo isso sem usar dicionários! Quem não sabe muito de computação pode até não entender muito bem do que vou falar, mas a conclusão sobre a forma de escrita correta de uma palavra é feita unicamente com dedução natural. Sim, parece incrível, e meu professor de lógica deve achar também.

O fato é que isso tudo já vem sendo prometido há algum tempo, com a chegada da Web 3.0. A ideia sempre foi poder navegar por assuntos de interesse, e não necessariamente por endereços. Você digita o que quer em algum lugar e já é levado para o conteúdo. Conheço um projeto que tem trabalhado fortemente em cima disso, e quando estiver pronto deve entrar no Portal do Software Público, que se chama Cordel. Mais informações sobre o projeto podem ser encontradas no site: http://www.lightinfocon.com.br/port/products/cordel/presentation.asp

Se tudo parece tão bom, onde está o medo então? No meu caso pelo menos, o medo reside no fato de que os computadores estão começando a entender o que a gente fala. Numa abordagem tradicional de correção ortográfica, existe um dicionário que contém todas as palavras da língua, e à medida que você digita ele vai analisando se a palavra está no dicionário. No caso do Wave, à medida que você digita ele executa uma complicadíssima equação lógica que permite ao computador concluir que existem sugestões melhores para aquele contexto de escrita, o que provavelmente indica que a palavra está errada. Isso significa que o computador “entende” o que você fala e ainda “interpreta”.

O fato é que fornecer essa inteligência aos computadores do Google, que dominam toda a informação do mundo, me parece um pouco “aprisionador”. Antes eu sabia que os dados estavam lá, mas precisava de um humano lendo para interpretá-los. Hoje em dia, isso já não é mais exclusivamente necessário.

Não sei no que isso vai dar, mas esse é certamente mais um passo importante do Google rumo à “dominação do mundo”.

“Corre Bino. É uma cilada…”

Se você gostou desse post, deixe um comentário ou inscreva-se no feed RSS para ter todas os posts enviados para o seu agregador preferido.

Author Description

Eduardo Santos

Mestre em Computação Aplicada pela Universidade de Brasília (UnB), Tecnologista na Agência Espacial Brasileira, professor do Uniceub e cientista de dados (data scientist).

No comments yet.

Leave a Reply

Twitter

Subscribe to Blog via Email

Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

Join 12 other subscribers

Alguns direitos reservados

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.