A Riqueza da nova era

Estou dando prosseguimento à leitura do livro Riqueza Revolucionária, de Alvin e Heidi Tofler, e acho ele cada vez mais interessante, principalmente por perceber que tudo o que é escrito no livro não traz nenhuma novidade. Para mim, que sou conhecedor da Seicho-no-ie há algum tempo, trata apenas de uma formalização de grande parte das coisas que são ditas por Masaharu Taniguchi desde a década de 30. Por ele ser um religioso e citar Deus em vários momentos, o que ele escreveu entra um pouco no ocultismo junto com as obras religiosas, enquanto Tofler construiu um best seller mundial, mas isso é outra discussão. O importante é que a humanidade está percebendo finalmente que a riqueza possui vários aspectos que não eram observados até então.

Já falei bastante sobre a riqueza em várias palestras (dê um pulo na página Palestras para ver algumas), e acredito que a pergunta a ser respondida no momento é: o que mudou nos últimos anos e, principalmente, como vou ficar rico?

A minha resposta pode chocar um pouco os mais céticos, mas ela encontra reforço no que foi escrito por Tofler: você já é rico! O caráter intrínseco da riqueza que pertence a humanidade é definido por ele da seguinte forma:

A riqueza, em seu sentido mais abrangente, é qualquer coisa que preencha necessidades ou desejos. Dessa forma, um sistema de riqueza é a maneira como a riqueza é criada e ordenada, quer sob a forma de dinheiro, quer não.

Já há algo de diferente na defesa de que a riqueza não trata única e exclusivamente de dinheiro. Mas o livro é mais ousado ao defender o que ele chama de “Terceira Onda” :

A terceira e mais nova onda de riqueza, que ainda está se espalhando pelo globo de forma explosiva enquanto escrevemos este livro, desafia todos os elementos tradicionais da produção industrial – isto é, propriedade, trabalho e capital – por um conhecimento ainda mais refinado.

Essa ruptura mencionada por Tofler se deve à emergência do sistema de riqueza baseado no caráter intangível dos bens, onde o conceito de posse passa a ser difuso. Afinal, quem pode ser considerado dono da ginga e do ritmo do Brasil? E do pragmatismo alemão? Mesmo que tentem apropriar-se de alguns elementos de conhecimento específicos de um povo, existem outros que simplesmente não podem ser sequer mensurados, o que dirá apropriados?

Esse é o momento em que filosofia religiosa e o livro se cruzam. Existe algo de exclusivo dentro de cada um de nós, uma característica especial e inigualável. Com a chegada da Internet e a explosão das comunicações, pela primeira vez tudo pode ser transformado em riqueza, e esse é o caminho da provisão no próximo século. É possível transformar qualquer talento em negócio com a distância de um clique de mouse, e existem riquezas que são tão importantes que não podem sequer ser monetarizadas.

O profissional do próximo século é aquele que tem consciência não somente de sua importância para a empresa, mas sim o que sabe capturar a essência intangível de uma sociedade e integrá-la ao modelo de negócios sem ferir a coletividade. O maior exemplo são empresas que trabalham com Software Livre, mas não aquelas que adotam o modelo de apropriação, e sim as que se integram à comunidade entendendo que são apenas uma parte do ecossistema. Uma parte importante é verdade, mas apenas uma parte.

Masaharu Taniguchi falava da importância de manifestarmos a riqueza que já está dentro de nós, e a Riqueza Revolucionária nos ensina como integrá-la a um modelo de negócios. De fato, quem conseguir resolver primeiro essa equação vai largar na frente e ficar rico mais rápido.

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Eduardo Santos

Mestre em Computação Aplicada pela Universidade de Brasília (UnB), Tecnologista na Agência Espacial Brasileira, professor do Uniceub e cientista de dados (data scientist).

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