O fim do IPv4 e o que isso representa em sua vida

Antes de mais nada, um site para você poder acompanhar o esgotamento dos endereços IPv4: http://inetcore.com/project/ipv4ec/index_pt.html É bem legal e tem aplicações para Iphone, Mac e Windows, além de um add pra colocar no seu site ou blog. Não, não tem pra Linux, mas isso é outra história. Um outro link se você quiser entender o problema com mais profundidade: http://www.ipv6.br/IPV6/ArtigoEsgotamentoIPv4 Tem ainda um perfil no twitter que eu sigo e joga atualizações de tempos em tempos http://twitter.com/IPv4Countdown

Para que todos os computadores se conectam à Internet, é necessário que eles tenham um endereço IP, que é um número de quatro casas de três dígitos separados por ponto. Um pouco mais sobre o funcionamento da Internet nesse outro post. Com o esgotamento dos números disponíveis isso poderia significar, em teoria, que nenhum novo computador poderia conectar, pois não haveria endereço a ser disponibilizado para ele. A coisa não é tão simples e tão direta assim, pois existem vários recursos das redes como NAT, DHCP, e outros que permitem que um número maior de computadores seja conectado ao mesmo tempo. Foram realizadas também reformas na estrutura de propagação dos endereços, que otimizaram a utilização e adiaram o esgotamento alguns anos. Mas parece que não há mais volta no momento: as estimativas dizem que em torno de três os números de endereço IPv4 estarão terminados.

E você pode se perguntar: o que isso altera a sua vida mortal? Ou seja, o dia-a-dia de um usuário de Internet? Qual o impacto que seria sentido pela grande parte dos usuários. A boa notícia para a maior parte das pessoas é que o impacto será quase nenhum, ou praticamente não será sentido, mais uma vez porque a indústria da informática e da Internet vem se preparando para o problema já há algum tempo. A preparação pode ser comparada ao que aconteceu na época do famoso bug do Milênio, ou o apocalipse que não aconteceu. Mas ainda assim alguns pequenos fenômenos podem acontecer, principalmente com quem tem equipamentos antigos. O máximo que pode acontecer é algo do tipo: o seu modem não tem suporte a IPv6 e o provedor não pode te passar um endereço válido, aí você precisa adquirir um equipamento mais novo. Ou ainda uma correção a ser lançada nos softwares dos roteadores de Internet, que deve ser imperceptível para a maior parte das pessoas. Enfim, nada de muito grave deve acontecer.

Contudo, para os meus companheiros de profissão, o trabalho deve ser um pouco mais forte. O primeiro passo é garantir a todos os usuários que aconteça o que eu disse acima: que o impacto não seja sofrido. É preciso então checar os roteadores, switches e firewalls para garantir que a rede não vai parar por falta de IPv4 disponível. A boa notícia é que os desenvolvedores de softwares e, principalmente, de sistemas operacionais largamente utilizados em estruturas de rede já estão tomando seus cuidados. A maior parte das pessoas enfrentou algumas problemas na atualização do Etch para o Lenny no Debian porque ele veio com o IPv6 habilitado por padrão, e algumas aplicações não estavam preparadas para essa pequena mudança de protocolo. Mas o fato é que ele já está habilitado há muitos anos e nós sequer notamos a diferença, o que significa que em geral tem sido feito um bom trabalho.

O maior problema talvez seja quem lida com configurações de domínios e redes. As interfaces de rede que estão “para a rua” como costumamos dizer ou direto na Internet normalmente estão configuradas somente para o IPv4, e aí mora o perigo. Precisamos preparar nossas redes então para trabalhar nos dois formatos, principalmente porque o IPv4 não vai sumir.  Deixo aqui então duas referências para quem quiser fazer o trabalho: um tutorial genérico do W3C e um para OpenBSD muito bem feito.

E vida longa à Internet!

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Eduardo Santos

Mestre em Computação Aplicada pela Universidade de Brasília (UnB), Tecnologista na Agência Espacial Brasileira, professor do Uniceub e cientista de dados (data scientist).

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