Quando teremos educação?

Mais uma vez somos confrontados com a dura realidade da educação em nosso país. Talvez, pela força da Internet, tenha sido o momento em que a realidade que todos conhecemos tenha se espalhado mais rapidamente pelo Brasil. O estranho é que, para muita gente, não se deve falar sobre o assunto porque educação ruim não é mais notícia. Assista então ao depoimento da Professora Amanda:

Sinceramente, adorei o começo da fala dela:

Como todos aqui gostam de apresentar muitos números, vou começar apresentando o meu, composta de apenas três algarismos: 9 – 3 – 0. Novecentos e trinta reais.

É deprimente de verdade imaginar que um professor no Brasil ganhe R$ 930,00. Contudo, o mais deprimente (aliás, esse é o motivo pelo qual escrevo) é ver que ninguém se indigna com isso! O salário do professor é uma miséria, a escola está caindo aos pedaços e ninguém tem a capacidade de se indignar.

Analisando a sociedade brasileira entendo um pouco as razões pelas quais nada acontece. A maior parte dos pais, muitos da classe alta inclusive, entendem que educação é problema da escola. Não é muito incomum ver aqueles que deixam seus filhos na escola e voltam no final do dia para buscá-los, sem ter o menor interesse com o que acontece com ele lá dentro. Quando acontece algo que não deveria acontecer, como crianças que se machucam porque estavam brincando no parque da escola, aí aparece a indignação.

Já disse aqui que a sociedade brasileira não dá a mínima pra política, da mesma forma que não dá a mínima pra educação. Também disse que não tinha motivos para comemorar a vitória da presidente Dilma, mesmo tendo torcido e votado nela, porque sabia que nada ia mudar. O problema é o mesmo: educação não é prioridade no Brasil, nem nunca foi. Aliás, alguém me explica uma coisa que eu nunca entendi: como pode um Técnico Judiciário, cargo de nível médio, ganhar em torno R$ 5.000,00 no DF e um professor ganha mais ou menos a metade? Alguém me explica essa lógica?

Para finalizar, deixo aqui um relatório da própria Globo: como pode um Estado que tem escolas cujos brinquedos machucam os alunos gastar R$ 671 milhões num estádio de futebol para 70.000 pessoas? Deve ser porque temos os grandes Gama (que já tem seu estádio) e Brasiliense (também tem seu estádio) para lotá-lo após o evento.

Obs.: Já ia me esquecendo: parabéns ao Faustão pela excelente entrevista. Não dá pra embutir no blog, mas o vídeo pode ser acessado nesse endereço.

#DezPorCentodoPIBJá

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Eduardo Santos

Mestre em Computação Aplicada pela Universidade de Brasília (UnB), Tecnologista na Agência Espacial Brasileira, professor do Uniceub e cientista de dados (data scientist).

There are 2 comments. Add yours

  1. 13th outubro 2011 | telles says:
    Blá, blá, blá.... blá, blá, blá... educação não dá voto, blá, blá, blá... É isso e pronto. Educação é bonito no discurso, mas ninguém quer investir por 20 anos para ter uma educação melhor. Um show na sua cidade, asfalto ou até uniforme para os pimpolhos é bem mais imediato.
  2. 13th outubro 2011 | Eduardo Santos says:
    Fala Telles, De fato vivemos na política do "me dá alguma coisa que eu voto em você". Triste. Contudo, é um erro comum imaginar que demora pra ter retorno com investimento em educação. 20 anos é tempo suficiente pra acontecer uma revolução, mas em dois ou três anos já possível ter bons resultados. Precisa apenas investir.

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